segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Eleições, Sempre

Estamos publicando uma reflexão sobre as eleições no Brasil, que foi realizada pela professora Kátia Martins.

ELEIÇÕES, SEMPRE

Flausino, Angélica, Pedro, Cláudio, Ana Maria, Edvane, Maucílio, Pedro, Francisca, Sônia, Rosimeire... Calor, calor, calor, mosca invadindo nariz, olhos, colando no suor da testa, fundindo-se ao cabelo já murcho.
“Trouxe documento com foto, senhora? Sim, é necessário. Infelizmente não pode.”      “ Pode entrar, companheiro!”
O som da urna avisa que o próximo eleitor já está habilitado a votar. Mas será que está mesmo? Afinal, são poucos, ainda, os brasileiros que, ufanistas, olham e enxergam os tantos brasis que constam desse nosso grande país e quem são os autores dos resultados que são percebidos na sociedade, sendo a desigualdade social o pior deles. Ao contrário, muitos apenas percebem o que lhe é conveniente, escolhendo, por exemplo, seus candidatos políticos (quem diria?) por serem bonitos, ou por serem jovens, ou por serem crentes, ou por serem homossexuais, ou por... Ou, ainda nem escolhem, recolhendo aleatoriamente do chão os “santinhos” que são jogados pelos cabos eleitorais no trabalho de boca de urna, talvez esperando que sejam “santos” a ponto de resolverem os problemas sociais. Esse eleitor sequer tem consciência da carreira política de seu candidato, de sua integridade moral ou de suas intenções e acaba elegendo corruptos, ignorantes e lobos na pele de cordeiros, deixando de lado quem ainda luta por um ideal de justiça e igualdade, mas que não teve dinheiro para se promover durante a campanha eleitoral, concorrendo com outros candidatos cujas campanhas são patrocinadas pela máquina do governo ou por empresas com interesses milionários. Continuam elegendo a pobreza, a falta de saúde e educação públicas de qualidade, elegendo a burocratização dos direitos dos cidadãos, muitas vezes enganados pela esperança das bolsas migalhas que minam o orgulho próprio e o desejo de luta por uma vida de dignidades. Elege e logo nem se lembra de em quem votou e também não sabe o que cobrar ou como fazê-lo.
Ah, povo brasileiro! Pessoas maravilhosas, corajosas, acolhedoras, otimistas sempre. Acordemos o gigante que há dentro de cada um de nós e olhemos de frente os desafios que nos encontram e os vejamos como desafios e não como obstáculos para nosso crescimento cidadão.
E, quando a urna estiver pronta para o próximo eleitor habilitado a votar , que esse realmente se sinta assim.
Kátia Martins

27/10/2014
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