terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Perdeu, Playboy!


São inúmeros os títulos que constam em nossa biblioteca e é com alegria que recebemos as caixas de livros quando elas chegam assim, lacradinhas. A gente se aproxima e parece que de dentro exala algum tipo de perfume inebriante, nossa curiosidade acerca dos títulos é imensa! O governo manda uma remessa e às vezes manda mais, nossa orientadora pedagógica solicitou mais alguns e eles vieram. Enfileirados, recém saídos das caixas, vão mexendo e remexendo aqui dentro da gente, causando frisson!  As capas durinhas, outras nem tanto, grandes, pequenos, grandões e até quase miniaturas! Gibis, revistas, uns parecem quadros de tão belas que são as gravuras.

E pra contar uma história hoje em dia as editoras não poupam esforços! Tem livro de todo tamanho e formato. As ilustrações são mais do que meras figuras para atrair, são complementos da histórias, por vezes, a própria história.

Hoje indicamos (em postagens separadas) dois títulos que vocês encontram por lá, nas estantes. Mas esperem! A biblioteca ainda está fechada, portanto guardem essa postagem para depois, assim vocês não esquecem.

Perdeu, Playboy!, de Felipe Tazzo, conta a história de Edvaldo, um bandido que deu certo. Fazendo pequenos furtos que lhe rendem alguns dias de aparente tranquilidade econômica, ele logo aprende a largar a arma e agenciar outros bandidos para roubar em seu lugar. Deixando o bairro pobre, as namoradas sem graça e o passado para trás, Edinho, como é conhecido, sobe em direção a uma vida de playboy. Ascender socialmente, porém, não o ajuda a lidar com limitações pessoais, sentimentos confusos e nem a sobreviver entre o crime e a máscara social que precisa criar para manter a atividade em sigilo. A narrativa traz, desta vez, não o lado do mocinho, mas o do bandido.

"Ele percebia que o seu maior inimigo não era a polícia, não o playboy, não era o diabo. Era a honestidade, essa besteira falsa que cada um inventava para si mesmo todos os dias, como se fossem todos heróis, como se fossem padres, como se fossem todos papas, Jesus Cristo. Essa maldita mania de ser bonzinho que todo mundo inventava e se dava o direito de decidir sobre a morte ou a vida do bandido que só queria saber de defender o seu".

Edvaldo é a figura do preconceito a partir do excluído, do pobre, daquele que não vê alternativas e é empurrado para o crime. Talvez esse processo se dê naturalmente, na ilusória ideia de que o ilícito é comum para quem está na camada mais baixa, ou seja, não causa assombro e ainda apresenta vantagens. Ou talvez Edvaldo, o excluído, tenha escolhido o crime por irresistível atração por um status que jamais alcançaria por meios legais. Essas questões não são respondidas e o livro não traz o Edinho antes do crime, não se sabe. Mas o interessante da leitura crítica é que você pode formular questões, muitas vezes sem obter respostas, porém estimulantes, a uma reflexão mais acentuada acerca da vida.

As ilustrações são de André Vanini; um trabalho interessante que acentua o ar marginal do livro concebido com o FICC – Fundo de Investimentos Culturais de Campinas.

Foto : Link
Felipe Tazzo tem 31 anos, vive em Campinas e é publicitário por formação, mas trabalha com produção cultural, produzindo shows, livros, CDs, DVDs, peças de teatro, apresentações de dança e exposições. Em 2007 lançou seu primeiro livro, “o livro das coisas que acontecem por aí”, uma coletânea de 18 contos boêmios que refletem seu testemunho da noite campineira. Em 2010, publicou "Perdeu, Playboy!". Conheça seus trabalhos em http://www.felipetazzo.com.br/.
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